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EX-VILÃO: OVO É O TEMA DA VEZ #SAUDÁVEL22/01/18

Inspirado como sempre, nosso colunista fala sobre galinhas bem criadas e seus ovos

Ah, o ovo. O ovo já foi condenado ao papel de vilão das doenças cardíacas. Depois virou mocinho. Depois vilão de novo. Mocinho de novo. Lembra muito o Galvão narrando a prova do Michael Phelps (veja o vídeo e relembre).

Vai perder.

Vai ganhar.

Vai perder.

Vai ganhar.

Perdeu.

GANHOU.

Ainda bem que nessa nossa comparação o ovo é o Phelps. Ganhou e ganhou bonito. Mas agora que está liberado pelos nutricionistas, convém entender as diferenças entre os tipos de ovos que a gente encontra para comprar.  

Diga NÃO ao ovo de granja

Se o processo de produção do seu alimento desrespeita a natureza, ele vai carregar aquilo pra sempre. É uma regra inexorável da vida. Condições precárias de criação cobram o seu preço depois.

Pois, agora, tente se colocar no lugar de uma galinha de granja. Vivendo apertadinha. Sem espaço para se mexer, nem para ciscar, muito menos para bater asas. Sem ver a luz do sol. Mas vendo a luz de lâmpadas fluorescentes 24 horas por dia, para não dormir e botar mais ovos. Sua existência se resume a isso. Se Descartes fosse um galináceo de granja, teria escrito: Boto, logo existo. A galinha de granja não pode desfrutar do tempo da natureza. Não pode seguir o ciclo natural. Ela leva uma vida pobre. Assim como é o ovo que ela bota. Estudos mostram (aqui) que o ovo de granja possui uma concentração de betacaroteno pelo menos cinco vezes menor do que a do ovo caipira. O betacaroteno, para quem não se lembra, é aquele troço que se converte em vitamina A e fortalece o sistema imunológico. Isso sem falar na diferença do sabor.

Então é só consumir ovo caipira?

O ovo caipira é muito mais gostoso do que o ovo de granja. A textura é diferente. A cor da gema é muito mais amarelada. Quando o animal se alimenta com nutrientes encontrados no pasto e tem contato com o sol, isso se reflete na qualidade da gema. E, claro, o tamanho e a cor não tem aquele padrão dos ovos produzidos em granja. O ovo caipira é naturalmente irregular. Se você vai comprar de uma marca no supermercado e ovo é muito certinho, com o tamanho e a cor muito homogêneos, é porque tem algo de podre no reino da marca.

Na Inglaterra, existe um tamanho mínimo para os ovos serem vendidos em supermercados. Milhares de produtores acabam perdendo um importante local para vender seus produtos. Isso gera uma situação curiosa. O que seria um controle de qualidade do supermercado, para garantir bons produtos, acaba se revelando o contrário. É quase impossível encontrar ovo bom nas grandes lojas. Seja lá, seja aqui (saiba mais).

Mas aí cabe entender. O que é o ovo caipira? É o ovo da galinha criada solta. Só isso? Não deveria ser. Porque o espaço onde ela vive é tão importante quanto a alimentação dela.

O que a gente vê em muitos ovos caipiras atuais é que para garantir a produtividade (uma palavra que deveria ser repensada nas fazendas), os criadores dão ração para as galinhas. Elas ficam livres, mas sua alimentação é industrializada. E sabe do que são feitas, na maioria das vezes, essas rações? Milho transgênico produzido à custa de muito pesticida e adubos químicos (extraídos do petróleo, vale lembrar). A galinha vive em liberdade, mas come como uma prisioneira. Para entender a bizarrice da cena, imagine um monge ermitão que se alimenta apenas de Ruffles e Coca-Cola.

Lá no começo do texto tem uma regra que não dá pra fugir. Se o processo de produção do seu alimento desrespeita a natureza, ele vai carregar aquilo pra sempre.

Aí eu te pergunto. Como uma galinha que come milho transgênico pode botar um ovo caipira? Sem ofensas ao gosto musical de cada um, mas um ovo desses é, no máximo, um ovo sertanejo universitário.

EULER ANDRÉS (COLABORAÇÃO ESPECIAL) - Agricultor orgânico, produtor de queijo, veterinário, pai, filho, avô e sonhador

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