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EULER ANDRÉS EM: PRESENTE COM O 'LOCAL'25/12/17

Valorizando o que é nosso!

Que o Natal virou uma data associada ao consumismo irrefreado até o Papai Noel da Coca-Cola sabe. Gastamos dinheiro, tempo, recursos naturais e combustível fóssil com presentes que, muitas vezes, o presenteado nem importa. Seria fácil levantar a bandeira do não-consumismo: “não dê presentes neste Natal”. Mas radicalismo não é muito a minha praia. Prefiro voltar às raízes para entender qual encruzilhada nos levou a esse caminho.

Se rebobinarmos a fita do Natal, vamos ver em retrospectiva uns 420 especiais do Roberto Carlos até chegarmos ao ponto em que o costume da troca de presentes surgiu. Antes até mesmo do amigo oculto da firma. Quando os três Reis Magos, segundo a tradição cristã, foram visitar o bebê que acabara de nascer levando três presentes: ouro, incenso e mirra.

Melchior (ou Belchior, de acordo com a tradução) era o Rei da Pérsia. Levou ouro. A região onde hoje é o Irã tem uma relação muito forte com o metal. Alguns anos antes, o Rei Dario I da Pérsia cunhou o Dárico, uma moeda toda feita de um ouro puríssimo, que até hoje é uma raridade.

Gaspar, Rei da Índia, não teve muita criatividade para escolher seu presente. Levou incenso. Afinal, o incenso está para a Índia como o queijo está para Minas. Mas, se faltou originalidade, sobrou simpatia. Quem não gosta do cheiro de incenso pela casa?

Baltazar, Rei da Arábia, foi como aquele convidado que chega na sua festa com um engradado de Skol. Levou mirra. Retirada da árvore de mesmo nome, nativa da parte árabe da África, sua resina era usada para embalsamar corpos. Como naquela época não se podia trocar o presente, os pais acabaram aceitando.

O que os três presentes tinham em comum? Eram produtos locais. Minha sugestão para este Natal é se inspirar nos três Reis Magos e presentear com as riquezas produzidas na sua redondeza. As possibilidades são tantas, que eu já começo a fazer uma lista sabendo que vou cometer injustiças. De qualquer jeito, vamos lá.

Neste Natal escolha produtores locais

                                                      

Qualquer queijo mineiro da Roça Capital.

Os queijos e todo os outros produtos da Bitaca da Leste.

Doce de leite, goiabada, cachaça e café na De Lá.

Tudo que tem na Mooca, ali na Savassi.

Os bolos da Renata Zanetti.

Tudo o que sai do forno do Máximo Soalheiro.

Os livros Tudo é Rio, de Carla Madeira, Sobre Pessoas Normais, de Marcela Dantés e Mãe, da Cris Guerra com ilustrações da Anna Cunha.

Qualquer caderno ou quadro da Anna Cunha.

Um quadro da Maria Helena Andrés.

A revista Piseagrama.

A revista Ernesto.

O Kit de Natal que nós, no dahorta, preparamos com queijo curado, ghee, geléia de morango e sal com ervas. Tudo orgânico e produzido nas nossas terras.

Valorize as nossa produção!

               

A lista é tão grande quanto a vontade de presentear. Produtos feitos aqui, com pegada ecológica reduzidíssima, que movimentam a economia local e, o melhor de tudo, que vão fazer a alegria de quem vai ganhar.

Vamos lembrar de Melchior. Ou melhor, de Belchior. Sim, o querido cantor bigodudo que nos deixou esses versos: "ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro". Se ano passado você morreu na loucura do Shopping, com horas para estacionar e fila quilométrica para pagar, este ano não morra. Escolha alguma opção de presente local e faça jus à tradição dos três Reis Magos.

Serviço:

Onde: Fazenda Luiziânia, Entre Rios de Minas, 35490-000

Instagram: @dahortaorganicos

Sitewww.dahorta.org/site/

Contato: (31) 99987-4787

 

 

EULER ANDRÉS (COLABORAÇÃO ESPECIAL) - Agricultor orgânico, produtor de queijo, veterinário, pai, filho, avô e sonhador

FOTOS ESTÚDIO BINGO 




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